A entrevista da Série Especial do Dia Mundial do Combate à Tuberculose dessa semana é com os professores Andrea Rossoni e Clemax Sant Anna, ambos da Área de Pediatria.

 

O Ministério da Saúde tem o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como uma de suas metas. Este plano, além das ações usuais de controle de TB (Pilar 1), inova ao inserir a Proteção Social (PIlar 2) e a Pesquisa e Inovação (Pilar 3). Quais são as maiores dificuldades para que esse Plano possa ser bem sucedido? O que se deve fazer para que isso não ocorra?

Acredito que as maiores dificuldades para erradicação da tuberculose seriam: Identificar e tratar os pacientes de forma adequada.

Para isso deve-se implementar as ferramentas diagnósticas e capacitar os profissionais para o seu uso, objetivando diagnósticos mais precoces e sensíveis. Como também reforçar o tratamento de forma adequada e o Tratamento diretamente observado (TDO) para diminuir o abandono. 

 

Os Srs participaram da consulta pública aberta pelo Ministério da Saúde para reunir contribuições de gestores públicos, coordenadores de programa, representantes da sociedade civil na elaboração do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose? Em caso afirmativo, quais foram suas sugestões?

• Utilizar a prova tuberculínica (PT) à todos os grupos prioritários e mesmo com as novas metodologias que não deixem de dispor da PT;
• Manter a cobertura da BCG na infância com altas proporções de cobertura e como fator fundamental para controle da doença, nas formas graves, nesta faixa etária;
• Disponibilizar medicamentos dispersíveis para criança;
• Introduzir um sistema de notificação e monitoramento para os casos de tratamento da infecção latente tuberculosa;
• Adequar locais para internação, quando necessário, para acolhimento do adolescente com tuberculose doença, em todo o território brasileiro (preparar as referências secundárias e terciárias para atendimento ao adolescente).

 

Ainda segundo o Ministério da Saúde, apesar dos esforços realizados, a redução anual de casos novos de TB (incidência) continua em 1,5%. Para alcançarmos a meta de Eliminação de TB, a redução anual da incidência deve ser superior a 15% ao ano. Nas suas opiniões, o que deve ser priorizado em nosso país para agilizarmos o cumprimento desta meta?

Implementar o diagnóstico de casos novos e a completitude do tratamento destes casos.

 

O que pode a Rede TB pode realizar para engajar ainda mais a área acadêmica no combate a Tuberculose?

Continuar com suas atividades tentando aumentar as parcerias e vislumbrar suas atividades realizadas com os colegas, organizações governamentais e de pesquisas. Gerando subsídios e ideias para atuações do MS e outros órgãos governamentais, chaves para o cumprimento das Metas de Eliminação da Tuberculose, no Brasil.

 

O que o senhor (a)  acha do papel da Rede TB no apoio dessa campanha e o que ela pode ajudar no Pilar 1, Pilar 2 e Pilar 3?

O papel da REDE TB tem sido fundamental no pilar 3, pois as pesquisas devem envolver o desenvolvimento de metodologias que aprimorem ações dos três pilares como também a divulgação e o monitoramento do impacto do uso dessas técnicas seja em nível individual e coletivo.

 

 

 

 

CLEMAX COUTO SANT'ANNA possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1974), mestrado em Tisiologia e Pneumologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1982) e doutorado em Medicina (Doenças Infecciosas e Parasitárias) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994). Especialista em Pneumologia Pediátrica (1995) pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Membro do Comitê Técnico Assessor a Tuberculose do Ministério da Saúde e do Childhood Tuberculosis Sub Group da iniciativa StopTB da Organização Mundial da Saúde. Coordenou e editou os livros Tuberculose na infância (com Newton Bethlem, 1985 e 1988), Tuberculose na infância e na adolescência (2002) e Tuberculose em crianças e jovens (em espanhol 2011 e em português 2014), além de outros. Docente dos programas de pós graduação de Clinica Médica e de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFRJ.

 

ANDREA MACIEL DE OLIVEIRA ROSSONIpossui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1996), mestrado em Medicina Interna pela Universidade Federal do Paraná (UFPR - 2003) e doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente, com concentração em Infectologia Pediátrica pela UFPR (2015). Atualmente é médica do Hospital de Clínicas da UFPR, atuando no departamento de Pediatria, na disciplina de Infectologia Pediátrica. E professora da pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa.Tem experiência na área de Pediatria, com ênfase em Infectologia Pediátrica.

 

Por Raphael Silva

 


Sobre a REDE-TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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