A entrevista da Série Especial do Dia Mundial do Combate à Tuberculose dessa semana é com o professor Liandro Lindner.

 

O Ministério da Saúde tem o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como uma de suas metas. Este plano, além das ações usuais de controle de TB (Pilar 1), inova ao inserir a Proteção Social (Pilar 2) e a Pesquisa e Inovação (Pilar 3). Quais são as maiores dificuldades para que esse Plano possa ser bem sucedido? O que se deve fazer para que isso não ocorra?


A ampliação de ações vinculadas a proteção social, de modo integrador e que valorize o ser humano, é um dos maiores desafios desta gestão do Programa Nacional de Controle de Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde, e de todo o atual governo. Vivemos num momento difícil em que a exclusão tem sido norma, com o recrudescimento de propostas higienistas que pregam a internação compulsória, o isolamento de populações mais vulneráveis a espaços restritos.

Hoje vivemos ainda ações de separação como a lepra bíblica ou a tuberculose no século XIX e a saúde mental no século XX. Porém o desafio maior nos dias atuais é de ordem econômica. Continuam sendo mais atingidos, os pobres, os negros, os jovens, os usuários de álcool e outras drogas. E para que as ações de prevenção e acesso `a saúde cheguem a estes grupos é preciso mais do que ações pontuais de caridade ocasional, mas verdadeira integração programática na busca de soluções conjunturais.

Neste ponto a comunicação tem muito a contribuir e penso que pode encontrar formas, estratégias e oportunidades fundamentais.



O Senhor participou da consulta pública aberta pelo Ministério da Saúde para reunir contribuições de gestores públicos, coordenadores de programa, representantes da sociedade civil na elaboração do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose? Quais foram suas sugestões?


Sim. Sugestões de enfrentamento desta realidade por meio de integração com movimentos sociais, com atuação direta no tema, e com outros setores governamentais para enfrentamento da questão.



O que pode a Rede TB pode realizar para engajar ainda mais a área acadêmica no combate a Tuberculose?

Há uma necessidade de se voltar a falar, com mais evidência, sobre o uso de álcool e outras drogas e sua relação com a tuberculose. Durante minha pesquisa de doutorado vi muito de perto esta realidade e confirmaram a necessidade de se pensar juntamente estes dois fenômenos que, creio, atingem os pacientes de forma mais impactante.

Para isto a busca de ações de redução de danos, que não exijam a abstinência compulsória, mas promovam ações de integração e participação são cruciais. Neste ponto os profissionais de saúde são fundamentais, sua ampliação de visão sobre o tema. A criação de uma moralidade que não seja excludente, mas respeite a cultura e os desejos do paciente, apoiando para que as decisões sejam tomadas de forma consciente é fundamental. Infelizmente o que vemos muito nos nossos serviços de saúde é a evidência de uma moral preconceituosa que afasta e oprime.

O que o senhor acha do papel da Rede TB no apoio dessa campanha e o que ela pode ajudar no Pilar 1, Pilar 2 e Pilar 3?

Monitorar constantemente o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose, de modo que reflita a realidade do país, nas suas culturas e nas suas realidades políticas e econômicas.

Ampliar a participação dos pesquisadores além das áreas biomédicas, incluindo aspectos sociológicos e educacionais como componentes.

Criar espaços para divulgação e incentivos a outros aspectos da tuberculose no Brasil, além dos clínicos, valorizando as pesquisas etnográficas e antropológicas como indicadores de ações e criação de vínculos.

 

LIANDRO LINDNER Possui formação em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1994), especialização em Comunicação e Saúde pela FIOCRUZ/Brasília (2007), especialização em Teoria do Jornalismo e Comunicação de Massa (PUC/RS, 1995), e especialização em Comunicação e Economia Política (PUC/RS, 1994). Mestrado em Ciências, pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/Rio de Janeiro) e Doutorando em Ciências pelo Programa de Pós Graduação da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP).
Atualmente é Co-coordenador da disciplina " População de Rua: Design, Cidade e Contemporaneidade" da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e faz parte da equipe do estudo STREAM-CE, Projeto de Engajamento Comunitário, de responsabilidade da REDE-TB, do estudo multicêntrico internacional STREAM, conduzido pela International Union Against Tuberculosis and Lung Disease (Union), e da Vital Strategies;

 

Por Raphael Silva


Sobre a Rede TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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