Definição da área:


A área de Estudos Clínicos da REDE TB analisa os efeitos clínicos dos produtos (vacinas, novas drogas) desenvolvidos por outras áreas da REDE TB ou por outros pesquisadores não associados à REDE. Entre outros, isto representa analisar se uma determinada intervenção (tratamento ou vacinação) é segura, bem tolerada, se terá o efeito postulado qual o seu impacto no controle da doença. Podemos, por exemplo, avaliar em indivíduos voluntários saudáveis novos medicamentos ou vacinas para o tratamento e controle da tuberculose (chamados estudos de fase I). Os estudos de fase II visam a conhecer a tolerância e segurança do fármaco em questão, os de fase III a avaliar a eficácia, e os de fase IV a efetividade e tolerância em grande escala (após industrialização do medicamento). Os estudos de fase IV se encaixam no que se chama de farmacovigilância. Podemos também avaliar o uso de medicamentos já existentes em novas indicações ou regimes.


Objetivos e desafios elencados pela área:


Atualmente, como prevenção da tuberculose, a vacina recomendada para uso no Brasil é a BCG, que deve ser aplicada em crianças recém-nascidas. O seu grau de eficácia é discutível, mas sabe-se que ela previne o aparecimento de formas graves da doença em crianças, como a meningite por tuberculose. Entretanto, ela não previne a infecção. Vacinas seguras e eficazes contra a infecção e o desenvolvimento da doença são necessárias.


A infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) acomete um terço da população mundial e deve ser tratada em algumas situações, para prevenir o desenvolvimento da doença. Esta ainda é uma forma importante de prevenção e controle da TB, enquanto aguardamos o desenvolvimento de uma vacina eficaz. Atualmente, o tratamento recomendado utiliza uma droga bastante tóxica para o fígado, a Isoniazida, e a taxa de abandono é alta, por se tratar de um tratamento longo, de pelo menos 6 meses, idealmente 9.


Já o tratamento da tuberculose que também dura seis meses, foi recentemente mudado no Brasil para incluir um 4º fármaco, o Etambutol. As doses recomendadas da Isoniazida e Pirazinamida foram reduzidas em relação ao tratamento anterior, apenas a dose da Rifampicina foi mantida. O Brasil está oferecendo uma apresentação de doses fixas combinadas (DFC) na tentativa de reduzir o abandono do tratamento. São 4 comprimidos ao dia, ao invés de 9 se fossem na formulação anterior. Um estudo de farmacovigilância está sendo implementado no país.


A cura ocorre em 95% das pessoas que tomam corretamente o tratamento completo. Entretanto, por ser um tratamento longo, muitos doentes o abandonam, o que diminui a chance de cura, aumenta a possibilidade de transmissão e a chance do bacilo se tornar resistente aos medicamentos. A área de Estudos Clínicos busca alternativas para esses problemas por meio da análise da segurança, eficácia e efetividade de novas drogas, novos esquemas terapêuticos e novas vacinas para prevenir e tratar a ILTB e a TB. A avaliação de novos medicamentos para tuberculose busca diminuir os efeitos tóxicos do tratamento atual e a sua duração, assim como procurar novas alternativas para os casos que ficam resistentes aos remédios. Paralelamente, também há tentativas de se identificar "marcadores" (exames de sangue ou escarro) que possam ser utilizados como sinalizadores de cura para a doença.


O sucesso desses objetivos depende do desempenho de áreas afins, como as áreas de desenvolvimento de novos fármacos, de diagnóstico e de vacinas da REDE TB, e da indústria farmacêutica. É fundamental que novos medicamentos e vacinas sejam descobertos para serem avaliados no tratamento de pacientes.

Estudos em andamento (ou finalizados) para enfrentar esses desafios:

  • Eficácia e aceitabilidade do novo tratamento 4DFC
       – Pesquisador Principal (PI): José Ueleres Braga e Kenneth Camargo
       – Financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates, apoio FAP
  • Tratamento da ILTB, fase III
       – 4meses de Rifampicina versus 9 meses de Isoniazida
       – Multicêntrico, envole 8 países
       – PI do estudo Dick Menzies, McGill, PI no Brasil Anete Trajman
       – Devemos arrolar 6000 pacientes, 1050 no Brasil
       – Previsão resultados 2014 (2 anos followup após última randomização)
       – Financiamento pelo Canadian Institut of Health Research
  • Tratamento da ILTB em portadores do HIV contatos de casos de MDR(ACTG): 
       – PI: Margareth Dalcolmo
  • Tratamento da TB-MDR com novo fármaco TBC 207 (Tibotec) – vide área específica
       – PI Valeria Rolla
  • Tratamento TB-sensível – novos esquemas
       – TBTC 29 (Rifapentina): PI Margareth Dalcolmo
       – Levofloxacina: PI Margareth Dalcolmo
  • Tratamento TB/HIV - vide área específica
       – Efavirenz 600mg x 800 mg, IRIS, tolerância e eficácia: Valeria Rolla, financiamento MS
       – Lopinavir+Ritonavir: Valeria Rolla, financiamento Abbott - farmacocinética

Metas

(i) Organização de novos "sites" em Porto Alegre-RS, Vitoria-ES, Rio de Janeiro-RJ, Manaus-AM, para realização de ensaios clínicos, (incluindo: melhoria da infraestrutura qualificação dos recursos humanos);

(ii) Consolidação da estrutura dos "sites" da Universidade Gama Filho -RJ, Programa Acadêmico de TB/UFRJ, IPEC-FioCruz, Centro Referência Prof Helio Fraga-MS e Núcleo de Doenças Infecciosas-UFES para realização de ensaios clínicos fase I, fase II (tipo EBA), fase III e ensaios clínicos com pacientes com TB multiresistente.

(iii) Incremento do diagnóstico microbiológico da TB nos "sites" selecionados;

(iv) Desenvolvimento e validação de um arquivo de dados de pacientes com TB utilizando-se a plataforma web;

(v) Implantação de um sistema de controle de qualidade para avaliar o desempenho dos laboratórios dos "sites" de ensaios clínicos

(vi) Realização de estudos de farmacovigilância com medicamentos antituberculose distribuídos no país;


(vii) Capacitação de Recursos Humanos em Boas Práticas Clínicas para participação em ensaios clínicos de qualidade

Conheça os trabalhos publicados pela área Estudos Clínicos, acessando a área Publicações no menu do topo!!!


Sobre a Rede TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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Contato

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