A área de VACINAS da REDE TB tem como objetivo desenvolver novas vacinas contra a tuberculose a partir do Mycobacterium bovis BCG Moreau RDJ e do Mycobacterium tuberculosis.

O avanço na área de vacinologia tem sido constante e tem melhorado muito a qualidade de vida da população mundial, com resultados que só são comparados aos dos programas de fornecimento de água potável. A média de vida dos habitantes de países desenvolvidos é de 77 anos, em contraste aos 52 anos dos que vivem em países em desenvolvimento. Esta diferença é causada principalmente pela mortalidade secundária às doenças infecciosas, inclusive a algumas doenças que possuem vacinas preventivas, mas que não estão disponíveis nos países mais pobres. Com o advento da vacinação, a varíola foi erradicada em 1978 e a poliomielite está controlada, com redução da sua incidência global em 99,9% e com perspectivas de erradicação em curto prazo. As antigas doenças comuns na infância, como o sarampo e a caxumba, estão se tornando cada vez mais raras e são quase inexistentes em nosso país.


Infelizmente, vacinas contra o HIV/AIDS, Malária e uma nova vacina contra a Tuberculose, que são responsáveis por cerca de 50% das 15 milhões de mortes por doenças infecciosas que acontecem no mundo anualmente, não estarão no mercado nesta década. Em compensação, novas verbas têm sido aprovadas por governos e organizações não governamentais para que pesquisas sejam realizadas, com o objetivo de desenvolver vacinas contra estas três doenças, em centros de pesquisa de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil.
A vacinação com o BCG, vacina viva atenuada de M. bovis utilizada em todo o mundo desde o início do século passado, induz resposta imunológica protetora em crianças contra formas severas e fatais da tuberculose. No entanto, a proteção contra a forma pulmonar e outras formas comuns em adultos é altamente variável. Portanto, vacinas mais eficazes são necessárias para controlar a doença.
Embora o BCG seja usado, no campo, há mais de 75 anos, os mecanismos de ação desta vacina contra a TB e os seus efeitos na imunidade humana são mal compreendidos. Infelizmente, não há nenhum estudo comparativo da eficácia das diversas técnicas de administração de BCG utilizando a mesma estirpe.


A vacina de BCG foi desenvolvida originalmente na França como uma vacina oral contra a TB e a rota foi mudada para parenteral somente após o acidente de Lübeck, em 1930. O Brasil, que tem a estirpe BCG Moreau RDJ (propriedade da Fundação Ataulpho de Paiva) certificada pela OMS, manteve o uso oral da vacina até o meio dos anos 70, quando o mesmo foi substituído pela via intradérmica.


Vacinas vivas atenuadas quase sempre fornecem importantes mecanismos de defesa contra doenças humanas. Em geral, essas vacinas são seguras, eficientes e induzem resposta imunológica humoral e celular, ativando, dessa forma, os dois braços da resposta imunológica (inata e específica), conferindo melhor proteção ao hospedeiro.


A tuberculose, geralmente, infecta os seres humanos através do trato respiratório superior, portanto através de uma rota mucosa. Para uma melhor proteção contra a TB, a vacina de BCG tem sido empregada, há quase um século, nos primeiros 30 dias de vida e é uma das vacinas mais utilizadas globalmente. Por décadas, diferentes fatores foram responsabilizados pela eficácia variável da vacina BCG contra a TB pulmonar adulta, tais como a estirpe da vacina, a dose e a rota de administração. Outra explicação é a diminuição da resposta imunológica específica com o aumento da idade. A imunização com o BCG também pode ser alterada por fatores do hospedeiro e do ambiente que diminuem a capacidade do imunizado de responder à vacinação. A análise genética comparativa dos diversos BCGs utilizados no mundo revelou que cada vacina atualmente em uso é diferente. Apesar destas inconsistências, a vacina BCG tem vantagens importantes: (1) protege, na infância, contra as manifestações severas da TB tais como a meningite, a TB miliar e a morte; (2) protege contra a hanseníase; (3) é a vacina com mais tempo de segurança registrado; e (4) é uma vacina barata. Atualmente, diversas novas vacinas em pesquisa (pré-clínica ou clínica) contra a TB são baseadas em plataformas de modificações de BCGs (ou BCGs recombinados - rBCGs), além disto todas as novas abordagens desenhadas para as novas a serem utilizadas no futuro usam o rBCG em protocolos de imunização prime-boost. A grande maioria da população mundial foi imunizada com BCG, portanto, no advento de uma nova vacina contra a tuberculose, esta população poderá causar alguns problemas. O regime de imunização seria diferente entre adultos (já imunizados) e neonatos, portanto cada nova vacina candidata deve ser estudada em novos regimes de vacinação tanto para neonatos como para indivíduos já vacinados. O desenvolvimento de novas vacinas contra a tuberculose deve levar em consideração alguns aspectos importantes aprendidos no uso de BCG por mais de 80 anos, tais como rotas de imunização, revacinação de indivíduos previamente imunizados com o BCG e uso de estratégia de prime-boost com o BCG e os candidatos vacinais.


A imunização com o rBCG, por via mucosa, é uma abordagem que pretendemos utilizar pois tem muitas vantagens. Estudos em colaboração entre a FIOCRUZ, Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) e St. George’s Vaccine Centre University of London demonstraram que a vacina oral (BCG Moreau RDJ) é bem tolerada e capaz de induzir resposta imunológica de perfil Th1. Nosso grupo tem observado que a administração oral do BCG Moreau RDJ em humanos não induz efeitos adversos e é capaz de modular a expressão de imunoglobulinas de IgG para IgA e não foi capaz de induzir tolerância. Os resultados históricos da imunização oral realizados pela Fundação Ataulpho de Paiva, no Brasil, mostraram boa proteção contra a TB e prevenção de TB em parentes de indivíduos doentes. Recentemente, alguns estudos pré-clínicos, inclusive nossos, mostraram a importância de testar rotas mucosas (oral e intranasal) para vacinas novas contra a TB.


O objetivo de nosso grupo é construir cepas recombinadas de M. bovis BCG Moreau RDJ e M. tuberculosis H37Rv que possam ser usadas como vacinas contra a tuberculose humana. Estas vacinas podem ser auxotróficas ou não, dependendo de sua provável virulência diminuída. As vacinas auxotróficas têm demonstrado boa proteção em ensaios com animais. O desenvolvimento de M. tuberculosis auxotrófico que expressa antígenos virulentos, mas que não cresce apropriadamente in vivo devido à deleção ou inativação de genes que codificam enzimas necessárias para a sua sobrevivência, é um de nossos objetivos no desenvolvimento de uma nova vacina contra a tuberculose. Outra abordagem é a modificação genética de M. bovis BCG Moreau RDJ de modo a criar novas vacinas que melhorariam a proteção contra a doença, utilizando o BCG com superexpressão e hiperexpressão de antígenos de M. tuberculosis ou do próprio BCG Moreau RDJ. Estes candidatos deverão ser testados em ensaios com macrófagos humanos e em estudos pré-clínicos como vacinas mucosas e parenterais.

Definição da área: 

A área da REDE TB para Pesquisa Operacional (PO) inclui a investigação de serviços de saúde, com o objetivo de avaliar os serviços de saúde, os resultados e o processo pelo qual a assistência é prestada. Os métodos da PO incluem avaliações de saúde quantitativa e qualitativa do serviço, bem como estudos epidemiolégicos observacionais. Pretende-se conduir estes estudos para melhorar o desempenho do programa e os resultados, avaliando a eficácia de novas estratégias e intervenções no controle da TB.

DIAGNÓSTICO DA TUBERCULOSE NO MUNDO


O diagnóstico rápido da TB é importante para se diminuir o tempo de transmissão da doença com conseqüente diminuição do número de pessoas infectadas pelo indivíduo doente. Entretanto pouco avanço foi realizado nos últimos 50 anos. As novas técnicas como a amplificação de ácidos nucléicos e sistemas automatizados utilizando cultura em meio líquido possuem elevado custo e dependem de técnicas sofisticadas que as tornam inadequadas para uso rotineiro em “low income countries”. Entretanto, mesmo em “middle income countries” como no Brasil, onde tais tecnologias poderiam ser utilizadas no sistema público e a TB é endêmica, o diagnóstico da TB tem sido baseado apenas na suspeita clínica, exame radiológico do tórax e exame baciloscópico (BAAR) do escarro.

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Sobre a REDE-TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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