A conferência de abertura do segundo dia do VI Workshop Nacional da Rede TB foi feita pela coordenadora geral do Programa de Pesquisa em Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Raquel de Andrade Lima Coelho, na qual apresentou as estratégias de ação do CNPq para a temática da Tuberculose na atual condição de restrição orçamentária para financiamento de pesquisas.

Desde 2015, vem ocorrendo um recuo das verbas oferecidas pelo CNPq e, em 2016, foi registrada uma queda ainda mais expressiva como resultado dos cortes de investimento da agência. Parcerias com outras agências de fomento nacionais e com órgãos internacionais e Medidas Provisórias têm sido o caminho utilizado para cumprir, prioritariamente, as responsabilidades com os projetos em andamento e já assumidos pelo CNPq.

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(João Perdigão – Instituto de Higiene de Medicina Tropical – Universidade Nova Lisboa, Portugal).


O trabalho realizado na Universidade Nova Lisboa, em Portugal, apresentado pelo pesquisador João Perdigão, propõe pensar a questão da tuberculose de forma mais abrangente, começando pelo contexto da comunidade dos países de língua portuguesa, que ocupa uma área de quase 11 milhoes de km2 e possui cerca de 258 milhões de habitantes no planeta. A taxa de incidência da doença varia muito nestes países, que têm alguns entre os 30 mais afetados pela tuberculose, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os objetivos da pesquisa são fornecer uma perspectiva lusófona acerca da estrutura de Mycobacterium tuberculosis, da estrutura populacional e da sua diversidade. Identificar agrupamentos (clusters) que são específicos, mas também aqueles transnacionais e instigar uma associação entre eles, fazendo com que isso culmine numa base de trabalho para a vigilância epidemiológica em tuberculose na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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(Kleydson Andrade – Programa Nacional de Controle da Tuberculose – PNCT - ponto focal do programa na pesquisa)

O processo de monitoramento da Rede de Teste Rápido passa continuamente por revisões desde a sua implantação em 2014 com o objetivo de melhorar a operacionalidade do sistema, os dados e os resultados gerados a partir da rotina laboratorial no país. Os tipos de revisão e lições aprendidas retiradas deste trabalho foram apresentados pelo ponto focal de pesquisa do Programa Nacional de Controle de Tuberculose (PNCT), Kleydson Andrade.

Além dos próprios objetivos da Rede, foram revisados os dois instrumentos de trabalho utilizados pelos monitores e coordenadores de programa nos estados e municípios: uma planilha eletrônica e um formulário de consolidação de dados, preenchidos e enviados mensalmente ao PNCT. Estes insumos (quantidade de cartucho utilizado, de módulo com defeito, de teste com MTB detectado/não detectado, resistente/sensível à rifampicina, resultados indeterminados) são transformados em um relatório, que é discutido internamente do ponto de vista epidemiológico e laboratorial, e retornam com uma devolutiva para os próprios profissionais da ponta.

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(Alexandre Costa – IBMP- Fiocruz - PR)


O pesquisador da Fiocruz, Alexandre Costa, apresentou os resultados preliminares de uma plataforma portátil de qPCR, o “Q3”, que visa atender os diferentes níveis de atenção ao paciente. O objetivo é que o equipamento ofereça não só facilidade de operação, como é o caso de outros modelos já utilizados, mas, principalmente, possa ser carregado e utilizado sob qualquer condição. Nesse sentido, um Point of Care (POC) se torna um “Point of Need”, com mobilidade para atender os pontos de necessidade.

A ideia é que esta plataforma seja um equipamento simples, capaz de realizar uma reação de detecção molecular em TB em qualquer lugar. O “Q3” é do tamanho de uma máquina de cartão de crédito e opera com um chip de silício.
Em 2015, por meio do apoio da Rede TB, os pesquisadores responsáveis fizeram a comparação da reação padrão realizada com o “Q3” e o ABI7500, plataforma similar oferecida no mercado, utilizando reagentes importados e reagentes produzidos no Paraná e o resultado foi muito satisfatório. As curvas dos equipamentos possuem sensibilidades comparáveis. Na nova etapa de testes, alguns pontos da curva de calibração estão sendo repetidos, mas desta vez com um passo à frente, com os equipamentos em Porto Alegre, em um ambiente diferente, outro laboratório, outras pipetas.

(Silvana Spíndola Miranda e Isabela Almeida - UFMG)

A pesquisadora Isabela Almeida representou a professora Silvana Spíndola na apresentação da análise de custos e da validação laboratorial do KIT-SIRE Nitratase, teste fenotípico que faz o teste de sensibilidade do Mycobacterium tuberculosis em relação aos quatro fármacos de primeira linha. O kit foi desenvolvido numa empresa nacional por meio de uma transferência de tecnologia da UFMG, com apoio da Rede TB. A técnica utilizada é baseada no mesmo princípio da prova do nitrato.

Após uma primeira etapa de validação, que permitiu identificar falhas e melhorias à técnica, a coordenação da Área Diagnóstica da Rede TB coordenou os novos testes realizados numa amostragem mais ampla, que incluiu painéis estudados por 11 sites localizados no Brasil e em Portugal, especificamente em Lisboa, posteriormente discutidos também em um workshop. Ao final, o cálculo da acurácia, na concordância do método nitratase com o padrão utilizado anteriormente, obteve resultados muito bons. O material foi transformado em produto e se tornou o único kit comercial do mundo com esta técnica.

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(Anikka Sweetland – Universidade de Columbia)


Aproximadamente metade das pessoas com tuberculose tem depressão. E a tuberculose pode causar depressão assim como a depressão pode causar tuberculose. O estudo desenvolvido pela pesquisadora Annika Sweetland busca compreender como se dá a relação entres as duas enfermidades e o fator pobreza, por meio do novo marco teórico denominado Syndemic, e pensar formas de melhor diagnosticar e tratar estes pacientes.

Um quadro é considerado sindêmico quando duas ou mais condições de naturezas biológica e social (vulnerabilidade e constrangimentos sociais, aspectos nutricionais, efeitos secundários do próprio tratamento, etc) atuam sinergicamente para piorar a enfermidade. Nesse caso, os resultados costumam ir no mesmo caminho: fracasso e abandono do tratamento, resistência à medicação, transmissão da doença a terceiros e morte.

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(Elena Lassouskaya e Fabrício Moreira – UFRJ/UENF)


A pesquisadora Elena Lassouskaya apresentou dados do estudo que analisa a relação entre virulência e imunopatogenicidade do bacilo da Tuberculose: Mycobacterium tuberculosis.

A imunopatogênese da tuberculose pulmonar está associada à formação de granulomas nos pulmões. Granuloma é uma característica da tuberculose, que pode contribuir para a proteção do hospedeiro, por meio da contenção e eliminação de bactérias, ou para a imunopatologia, promovendo a destruição de tecidos e a disseminação e transmissão bacteriana.

A análise que lhe apresento foi realizada a partir da infecção de camundongos resistentes com cepa hipervirulenta de tuberculose. Os resultados sugerem que esse quadro de infecção reproduz a patologia necrótica e está associada ao aumento do recrutamento de neutrófilos. O tratamento com rifampicina reduziu as cargas micobacterianas nos pulmões e, em menor medida, a extensão das lesões necróticas. O ibuprofeno (droga anti-inflamatória) reduziu lesões e necrose, e em menor medida, os números bacterianos no pulmão, abrindo novas perspectivas para terapia adjuvante na TB, principalmente nos pacientes com resposta hiperinflamatória.

(Julio Croda – UFGD/Fiocruz-MS)


O pesquisador Julio Croda apresentou dados referentes à situação da tuberculose em pessoas privadas de liberdade no Mato Grosso do Sul (MS) e demonstrou que não há como acabar com a doença neste estado e no país sem ações estratégicas no sistema prisional. Dos novos casos notificados no MS, 15% são de pessoas encarceradas, sendo boa parte jovens adultos de 20 a 29 anos. A taxa de notificação cresceu neste contexto, enquanto diminuiu na população geral.

Atualmente, o Brasil é o quarto país no planeta com maior número de presos, vivendo em condições precárias, de superlotação – 65% acima da capacidade das instalações. A taxa de encarceramento também está entre as maiores do mundo: 275/100 mil pessoas e, segundo o Governo Federal, a tendência é de crescimento.

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(Delia Boccia – London School Tropical Hygiene - UK)


Uma das ferramentas biomédicas consideradas para alcançar as metas da estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa acabar com a tuberculose até 2035, é uma nova vacina capaz de trazer resultados mais eficazes contra a doença. No entanto, as previsões indicam que a nova vacina só estará disponível em 10 anos. Por outro lado, a capacitação das ferramentas de proteção social e cobertura de saúde universal são uma outra maneira de acelerar o declínio da incidência da tuberculose, pois atuam diretamente no enfrentamento dos determinantes sociais.

A pesquisadora Delia Boccia apresentou uma gama de informações acerca de iniciativas de proteção social realizadas em todo o mundo, incluindo programas brasileiras como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, com indicação de especificidades e caminhos de pesquisa que demonstram grande potencial de rendimento para ir ao encontro dos objetivos da OMS.

Nesse contexto, falou do projeto “SOPHIA: proteção social para melhoria e acesso à saúde”, que trabalhará estas novas abordagens no Brasil com uma equipe multidisciplinar sob a liderança do Programa Nacional de Controle de TB em colaboração com o Banco Mundial.

(Ezio Távora - Rede TB)

O pesquisador Ezio Távora falou do resgate do viés de mobilização comunitária na Rede TB, especialmente quando completam 10 anos da realização do primeiro wokshop de engajamento comunitário em pesquisa. O objetivo é capacitar ativistas para pensar a tuberculose e a TBHIV no âmbito das pesquisas e usá-las como incidência política. É a possibilidade de transformar os ativistas por meio do conhecimento científico e popular, se apoderando e atuando na produção científica de forma a influenciar os processos.

Um trabalho multicêntrico sobre TB-MDR que ocorre em 11 países está avançando internacionalmente esse componente de engajamento em pesquisa desenvolvido pelos Centros Comunitários de Acompanhamento em Pesquisa (CCAPs). O movimento visa introduzir na Tuberculose o que foi feito na Aids a partir da década de 90, quando os ativistas tinham grande capacidade analítica, crítica e propositiva. A epidemia atacou primeiro pessoas de classe média, brancas, com boa interlocução com a mídia, imprensa e academia. Na medida em que a Aids empobreceu e também foi tendo resposta, essa capacidade diminuiu.

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Sobre a REDE-TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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