(Carla Patrícia – coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids do RS e socióloga)


A exposição da socióloga Carla Patrícia trouxe uma reflexão crítica acerca do caráter simbólico do lugar que a mobilização social e o engajamento ocupam no universo da pesquisa em tuberculose, no qual ainda predomina o discurso da área biomédica em detrimento das abordagens qualitativas, que pensam o sujeito de forma mais integrada e suas especificidades.

Se faz necessário um exercício para perceber que os Centros Comunitários de Acompanhamento em Pesquisa (CCAPs) e os ativistas somente são considerados um braço importante na construção dos processos quando são uma exigência do financiador. Fora isso, têm sido interpretados como "algo" que pode atrapalhar, pois trazem novas perspectivas e formas de fazer a serem considerados. Para Carla, há uma compreensão frágil dos pesquisadores quanto ao papel destes atores nas experiências já vivenciadas, além da prática de uma relação de poder verticalizada. Em geral, entende-se que eles terão uma função operacional e não a de soma dos saberes que cada um pode integrar à pesquisa.

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(Pedro Almeida Silva - FURG)


O estudo apresentado pelo pesquisador Pedro Almeida e Silva mostra que as bombas de efluxo são mecanismos de resistência aos antimicrobianos usados no tratamento contra o bacilo da TB: Mycobaterium tuberculosis. As bombas são proteínas transportadoras que extraem substratos de dentro para fora da célula e alguns destes substratos são os antimicrobianos.

Anteriormente, as evidências eram levantadas em cepas de laboratório, mas, de alguns anos para cá, esse mecanismo vem sendo identificado em isolados clínicos. As análises expõem que o efluxo pode ser uma etapa prévia da resistência clínica e funcionar em sinergia com as mutações para aumentar o nível de resistência, participando do seu processo evolutivo. Há também a situação em que um sistema de efluxo, chamado de “bomba estrela”, pode estabelecer múltipla resistência, num quadro ainda mais crítico.

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(Anna Cristina Carvalho – IOC Fiocruz)


O objetivo da pesquisa apresentada pela Anna Cristina Carvalho foi estimar a prevalência do episódio depressivo maior e os fatores clínicos epidemiológicos associados a essa ocorrência, envolvendo pacientes com suspeita de tuberculose e sintomáticos respiratórios atendidos no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ). O estudo realizado de 2015 a 2016 foi do tipo transversal com diagnóstico levantado a partir de questionários padronizados e validados internacionalmente.

O paciente com depressão procura menos o serviço de saúde, por isso tem maior propensão à progressão da doença, além do alto risco de abandono do tratamento e do surgimento de resistência. O componente psiquiátrico torna a interação das doenças altamente complexa, mas os determinantes sociais também têm destaque no desfecho do tratamento.

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(Elisangela Silva – UFRJ/UENF)


Pacientes com tuberculose apresentam perda de peso acentuada e a consequente deficiência de vitaminas. Os fatores de desnutrição estão associados ao tecido adiposo, tecido inflamatório que modula respostas a agentes infecciosos. Logo, a sua alteração pode levar a mudanças nas respostas imunes a esses agentes.


Pensando nisso, a pesquisa apresentada pela Elisângela Silva busca compreender se a perda de peso em pessoas diagnosticadas com o Mycobacterium tuberculosis pode estar relacionada ao desfecho desfavorável no tratamento anti-TB, como nos casos de morte ou falha no tratamento.


O que pode ser levantado com a pesquisa indica que, de fato, em pacientes desnutridos, a infecção por Mycobacterium tuberculosis leva a uma alteração da imunidade, promovendo alteração física e metabólica, modulando a resposta inflamatória.

(Naomi Kowaoka Komatsu – SMS-SP)


Os resultados de um projeto voltado a pacientes com tuberculose em situação de rua na região central de São Paulo foram apresentados pela profissional Naomi Kowaoka. O objetivo foi fortalecer a estratégia de adesão ao Tratamento Diretamente Observado (TDO) e melhorar sua qualidade com atividades terapêuticas, bem como o acompanhamento dos pacientes por meio de exames, orientações e atividades culturais.


Foi contratada uma equipe auxiliar composta por agente social, assistente social e psicólogo para trabalhar junto às atividades de consultório de rua já existentes. A estrutura permitiu maior proximidade com os pacientes, inclusive nos fins de semana, garantindo o êxito do TDO e o fortalecimento da rede de proteção dessa população.

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(Mirian Miranda Cohen – INI - Fiocruz)

Mirian Cohen falou sobre a experiência de implantação da Gestão da Qualidade na Fiocruz, que culminou com a inclusão da rubrica na estrutura de governança, o que significa a preocupação e a concordância da direção com a busca constante pela excelência nas práticas da organização. Um grupo de 11 gestores e profissionais se reuniu semanalmente para discutir e aprimorar o sistema, de forma que a aplicação das normas adequadas ao escopo de Ciência e Tecnologia foi feita com a participação de pessoas envolvidas nos mais diversos processos da instituição (produção, laboratório, ensino, pesquisa, etc).

Os principais objetivos foram fomentar a cooperação e a integração entre áreas, um desafio em função do tamanho gigantesco da Fiocruz, e desenvolver uma cultura da qualidade com valores positivos e de motivação das pessoas, na qual todos assumam o compromisso pela melhoria contínua dos processos com a consciência da responsabilidade pública dos seus serviços

(Rafael Galliez – UFRJ)


Considerando as dificuldades cada vez maiores da gestão de leitos nas unidades de saúde, a pesquisa apresentada por Rafael Galliez teve o objetivo de apresentar o desenvolvimento de um modelo preditivo de retirada de pacientes com tuberculose do isolamento respiratório, baseado em regressão logística.

A consciência do alto risco biológico da doença, tanto para pacientes quanto para profissionais, torna o isolamento respiratório de pacientes com suspeita de TB pulmonar uma questão prioritária no cotidiano dos hospitais. A ferramenta em desenvolvimento na pesquisa, acessível pela internet e também utilizável em celulares e tablets, com código aberto, busca agilizar a identificação de pacientes com baixo risco de tuberculose indicados para isolamento afim de resolver a equação logística e amparar na decisão da ocupação de vagas, especialmente nos casos de demanda de muitos pacientes.

(Suely Conceição Alves Silva – doutoranda UFRJ)

 A pesquisa da Suely Conceição Alves busca compreender como se deu o processo de incorporação tecnológica no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do mapeamento de uma rede de cenários (nacional e internacional) e atores que compõem este processo. As chamadas “salas de negociação” são um dos pontos utilizadas para pensar, a partir da ideia de poder, os valores e as intencionalidades envolvidos neste contexto; e como se constroem as disputas e seus efeitos, que definem como a incorporação tecnológica do SUS se dá na prática. Nesse contexto, refletir também se há potencial para serem incluídas as tecnologias não materiais no campo do cuidado, já que no modelo biomédico as materiais são predominantes. 

(Rafael Galliez – UFRJ)

Uma tecnologia capaz de integrar em formato eletrônico os dados de diversos formulários para triagem e diagnóstico de pacientes com tuberculose está em uso no CMS Caxias. A ferramenta tem interface para ser usada em computadores, celulares, tablets e, uma vez carregado o formulário, consegue se manter, independente da variação da conexão com a Web, evitando o problema do dado intermitente.

O pesquisador Rafael Galliez apresentou o formulário da fase inicial de acompanhamento do estudo, que permite a coleta por perguntas sim e não e a inserção de imagens do radiograma de tórax. O profissional pode visualizar posteriormente as informações e resultados para análise e comparações por meio de gráficos e até de mapas e fotos oriundos de outros tipos de dados.

O formulário também oferece o uso do próprio escore. Após o preenchimento, é definida a pontuação e os riscos de TB pulmonar de cada paciente. Além de diminuir a quantidade de janelas, instrumentos e papeis utilizados pelos profissionais da saúde, toma menos tempo do paciente, que pode, inclusive, ser entrevistado enquanto aguarda na fila do hospital.

Sobre a REDE-TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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