(Elena Lassouskaya e Fabrício Moreira – UFRJ/UENF)


A pesquisadora Elena Lassouskaya apresentou dados do estudo que analisa a relação entre virulência e imunopatogenicidade do bacilo da Tuberculose: Mycobacterium tuberculosis.

A imunopatogênese da tuberculose pulmonar está associada à formação de granulomas nos pulmões. Granuloma é uma característica da tuberculose, que pode contribuir para a proteção do hospedeiro, por meio da contenção e eliminação de bactérias, ou para a imunopatologia, promovendo a destruição de tecidos e a disseminação e transmissão bacteriana.

A análise que lhe apresento foi realizada a partir da infecção de camundongos resistentes com cepa hipervirulenta de tuberculose. Os resultados sugerem que esse quadro de infecção reproduz a patologia necrótica e está associada ao aumento do recrutamento de neutrófilos. O tratamento com rifampicina reduziu as cargas micobacterianas nos pulmões e, em menor medida, a extensão das lesões necróticas. O ibuprofeno (droga anti-inflamatória) reduziu lesões e necrose, e em menor medida, os números bacterianos no pulmão, abrindo novas perspectivas para terapia adjuvante na TB, principalmente nos pacientes com resposta hiperinflamatória.

(Delia Boccia – London School Tropical Hygiene - UK)


Uma das ferramentas biomédicas consideradas para alcançar as metas da estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa acabar com a tuberculose até 2035, é uma nova vacina capaz de trazer resultados mais eficazes contra a doença. No entanto, as previsões indicam que a nova vacina só estará disponível em 10 anos. Por outro lado, a capacitação das ferramentas de proteção social e cobertura de saúde universal são uma outra maneira de acelerar o declínio da incidência da tuberculose, pois atuam diretamente no enfrentamento dos determinantes sociais.

A pesquisadora Delia Boccia apresentou uma gama de informações acerca de iniciativas de proteção social realizadas em todo o mundo, incluindo programas brasileiras como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, com indicação de especificidades e caminhos de pesquisa que demonstram grande potencial de rendimento para ir ao encontro dos objetivos da OMS.

Nesse contexto, falou do projeto “SOPHIA: proteção social para melhoria e acesso à saúde”, que trabalhará estas novas abordagens no Brasil com uma equipe multidisciplinar sob a liderança do Programa Nacional de Controle de TB em colaboração com o Banco Mundial.

(Anikka Sweetland – Universidade de Columbia)


Aproximadamente metade das pessoas com tuberculose tem depressão. E a tuberculose pode causar depressão assim como a depressão pode causar tuberculose. O estudo desenvolvido pela pesquisadora Annika Sweetland busca compreender como se dá a relação entres as duas enfermidades e o fator pobreza, por meio do novo marco teórico denominado Syndemic, e pensar formas de melhor diagnosticar e tratar estes pacientes.

Um quadro é considerado sindêmico quando duas ou mais condições de naturezas biológica e social (vulnerabilidade e constrangimentos sociais, aspectos nutricionais, efeitos secundários do próprio tratamento, etc) atuam sinergicamente para piorar a enfermidade. Nesse caso, os resultados costumam ir no mesmo caminho: fracasso e abandono do tratamento, resistência à medicação, transmissão da doença a terceiros e morte.

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(Julio Croda – UFGD/Fiocruz-MS)


O pesquisador Julio Croda apresentou dados referentes à situação da tuberculose em pessoas privadas de liberdade no Mato Grosso do Sul (MS) e demonstrou que não há como acabar com a doença neste estado e no país sem ações estratégicas no sistema prisional. Dos novos casos notificados no MS, 15% são de pessoas encarceradas, sendo boa parte jovens adultos de 20 a 29 anos. A taxa de notificação cresceu neste contexto, enquanto diminuiu na população geral.

Atualmente, o Brasil é o quarto país no planeta com maior número de presos, vivendo em condições precárias, de superlotação – 65% acima da capacidade das instalações. A taxa de encarceramento também está entre as maiores do mundo: 275/100 mil pessoas e, segundo o Governo Federal, a tendência é de crescimento.

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(Ezio Távora - Rede TB)

O pesquisador Ezio Távora falou do resgate do viés de mobilização comunitária na Rede TB, especialmente quando completam 10 anos da realização do primeiro wokshop de engajamento comunitário em pesquisa. O objetivo é capacitar ativistas para pensar a tuberculose e a TBHIV no âmbito das pesquisas e usá-las como incidência política. É a possibilidade de transformar os ativistas por meio do conhecimento científico e popular, se apoderando e atuando na produção científica de forma a influenciar os processos.

Um trabalho multicêntrico sobre TB-MDR que ocorre em 11 países está avançando internacionalmente esse componente de engajamento em pesquisa desenvolvido pelos Centros Comunitários de Acompanhamento em Pesquisa (CCAPs). O movimento visa introduzir na Tuberculose o que foi feito na Aids a partir da década de 90, quando os ativistas tinham grande capacidade analítica, crítica e propositiva. A epidemia atacou primeiro pessoas de classe média, brancas, com boa interlocução com a mídia, imprensa e academia. Na medida em que a Aids empobreceu e também foi tendo resposta, essa capacidade diminuiu.

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(Carla Patrícia – coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids do RS e socióloga)


A exposição da socióloga Carla Patrícia trouxe uma reflexão crítica acerca do caráter simbólico do lugar que a mobilização social e o engajamento ocupam no universo da pesquisa em tuberculose, no qual ainda predomina o discurso da área biomédica em detrimento das abordagens qualitativas, que pensam o sujeito de forma mais integrada e suas especificidades.

Se faz necessário um exercício para perceber que os Centros Comunitários de Acompanhamento em Pesquisa (CCAPs) e os ativistas somente são considerados um braço importante na construção dos processos quando são uma exigência do financiador. Fora isso, têm sido interpretados como "algo" que pode atrapalhar, pois trazem novas perspectivas e formas de fazer a serem considerados. Para Carla, há uma compreensão frágil dos pesquisadores quanto ao papel destes atores nas experiências já vivenciadas, além da prática de uma relação de poder verticalizada. Em geral, entende-se que eles terão uma função operacional e não a de soma dos saberes que cada um pode integrar à pesquisa.

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(Pedro Almeida Silva - FURG)


O estudo apresentado pelo pesquisador Pedro Almeida e Silva mostra que as bombas de efluxo são mecanismos de resistência aos antimicrobianos usados no tratamento contra o bacilo da TB: Mycobaterium tuberculosis. As bombas são proteínas transportadoras que extraem substratos de dentro para fora da célula e alguns destes substratos são os antimicrobianos.

Anteriormente, as evidências eram levantadas em cepas de laboratório, mas, de alguns anos para cá, esse mecanismo vem sendo identificado em isolados clínicos. As análises expõem que o efluxo pode ser uma etapa prévia da resistência clínica e funcionar em sinergia com as mutações para aumentar o nível de resistência, participando do seu processo evolutivo. Há também a situação em que um sistema de efluxo, chamado de “bomba estrela”, pode estabelecer múltipla resistência, num quadro ainda mais crítico.

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(Anna Cristina Carvalho – IOC Fiocruz)


O objetivo da pesquisa apresentada pela Anna Cristina Carvalho foi estimar a prevalência do episódio depressivo maior e os fatores clínicos epidemiológicos associados a essa ocorrência, envolvendo pacientes com suspeita de tuberculose e sintomáticos respiratórios atendidos no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ). O estudo realizado de 2015 a 2016 foi do tipo transversal com diagnóstico levantado a partir de questionários padronizados e validados internacionalmente.

O paciente com depressão procura menos o serviço de saúde, por isso tem maior propensão à progressão da doença, além do alto risco de abandono do tratamento e do surgimento de resistência. O componente psiquiátrico torna a interação das doenças altamente complexa, mas os determinantes sociais também têm destaque no desfecho do tratamento.

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(Elisangela Silva – UFRJ/UENF)


Pacientes com tuberculose apresentam perda de peso acentuada e a consequente deficiência de vitaminas. Os fatores de desnutrição estão associados ao tecido adiposo, tecido inflamatório que modula respostas a agentes infecciosos. Logo, a sua alteração pode levar a mudanças nas respostas imunes a esses agentes.


Pensando nisso, a pesquisa apresentada pela Elisângela Silva busca compreender se a perda de peso em pessoas diagnosticadas com o Mycobacterium tuberculosis pode estar relacionada ao desfecho desfavorável no tratamento anti-TB, como nos casos de morte ou falha no tratamento.


O que pode ser levantado com a pesquisa indica que, de fato, em pacientes desnutridos, a infecção por Mycobacterium tuberculosis leva a uma alteração da imunidade, promovendo alteração física e metabólica, modulando a resposta inflamatória.

(Naomi Kowaoka Komatsu – SMS-SP)


Os resultados de um projeto voltado a pacientes com tuberculose em situação de rua na região central de São Paulo foram apresentados pela profissional Naomi Kowaoka. O objetivo foi fortalecer a estratégia de adesão ao Tratamento Diretamente Observado (TDO) e melhorar sua qualidade com atividades terapêuticas, bem como o acompanhamento dos pacientes por meio de exames, orientações e atividades culturais.


Foi contratada uma equipe auxiliar composta por agente social, assistente social e psicólogo para trabalhar junto às atividades de consultório de rua já existentes. A estrutura permitiu maior proximidade com os pacientes, inclusive nos fins de semana, garantindo o êxito do TDO e o fortalecimento da rede de proteção dessa população.

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(Rafael Galliez – UFRJ)


Considerando as dificuldades cada vez maiores da gestão de leitos nas unidades de saúde, a pesquisa apresentada por Rafael Galliez teve o objetivo de apresentar o desenvolvimento de um modelo preditivo de retirada de pacientes com tuberculose do isolamento respiratório, baseado em regressão logística.

A consciência do alto risco biológico da doença, tanto para pacientes quanto para profissionais, torna o isolamento respiratório de pacientes com suspeita de TB pulmonar uma questão prioritária no cotidiano dos hospitais. A ferramenta em desenvolvimento na pesquisa, acessível pela internet e também utilizável em celulares e tablets, com código aberto, busca agilizar a identificação de pacientes com baixo risco de tuberculose indicados para isolamento afim de resolver a equação logística e amparar na decisão da ocupação de vagas, especialmente nos casos de demanda de muitos pacientes.

Sobre a REDE-TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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